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Setembro 2012

 

            TEMPO DE IPÊ

                                                                 11.VIII.1981

 

Não quero saber de IPM, quero saber de IP.

O M que se acrescentar não será militar,

será de Maravilha.

Estou abençoando a terra pela alegria do ipê.

Mesmo roxo, o ipê me transporta ao círculo da alegria,

onde encontro, dadivoso, o ipê-amarelo.

Este me dá as boas-vindas e apresenta:

- Aqui é o ipê-rosa.

Mais adiante, seu irmão, o ipê-branco.

Entre os ipês de agosto que deveriam ser de outubro

mas tiveram pena de nós e se anteciparam

para que o Rio não sofresse de desamor, tumulto, inflação, mortes.

Sou um homem dissolvido na natureza.

Estou florescendo em todos os ipês.

Estou bêbado de cores de ipê, estou alcançando

a mais alta copa do mais alto ipê do Corcovado.

Não me façam voltar ao chão,

não me chamem, não me telefonem, não me dêem dinheiro,

quero viver em bráctea, racemo, panícula, umbela.

Este é tempo de ipê. Tempo de glória.

 

 ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando, in Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. p. 1357-1358.

 

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