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Agosto 2012

 

 

O poema que Drummond dedicou ao amigo Manuel Bandeira transforma-se em 'Declaração a Carlos'.

 

DECLARAÇÃO A MANUEL

 

Teu verso límpido, liberto

de todo sentimento falso;

teu verso em que Amor, soluçante,

se retesa e contempla a morte

com a mesma forte lucidez

de quem soube enfrentar a vida;

teu verso em que deslizam sombras

que de fantasmas se tornaram

nossas amigas sorridentes,

teu seco, amargo, delicioso

verso de alumbramentos sábios

e nostalgias abissais,

hoje é nossa comum riqueza,

nosso pasto de sonho e cisma:

ele não te pertence mais.

 

ANDRADE, Carlos Drummond de. Viola de bolso, in Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. p. 394.

 

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